Afónico

A aula foi interrompida por falhas técnicas. Do professor (afónico a 99%) e do projetor, avariado de vez ("Tem de ser mudado", disse a pessoa do apoio técnico). Não houve folha de presenças.

Duas histórias:

1. O cafezinho

Há 16 anos, fui operado a uma hérnia discal. Como é difícil remarcar defesas de mestrado, vim um par de vezes participar no júri. Explicava que ia ficar de pé por instrução médica. "Durante três meses evite ao máximo sentar-se, é a posição pior para a coluna." Como eu tinha padecido muito durante dez anos, de cada vez pior e durando mais tempo, decidi cumprir escrupulosamente  as ordens do cirurgião. E assim, passado o pequeno ridículo inicial de um membro do júri estar de pé, corria tudo bem. Uma tarde, fui entregar as folhas de avaliação ao secretariado e fiquei de ir ter com os meus dois colegas. Quando cheguei ao café, estavam sentados. Gemi: "Eu não me posso sentar..." E eles, professores doutores reputados. "Ó Rui, nem um bocadinho» Vá lá..."

A minha fragilidade física nada valia compara com o hábito deles. E, em vez de fazerem a cortesia de me acompanhar, contavam que eu "não fosse chato". 

2. O escorrega

Há anos, uma criança caiu do escorrega e ficou queixosa. O pai pediu para alguém chamar o INEM. Um homem liga: "Olhe, uma criança caiu aqui, se calhar não é nada."

Obviamente não era a criança daquele burgesso. Felizmente, os socorristas levaram a sério.

Há pessoas que morrem por vergonha, não querem incomodar os senhores doutores.

3. O anormal

E hoje senti-me trotinete...




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