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Afónico

A aula foi interrompida por falhas técnicas. Do professor (afónico a 99%) e do projetor, avariado de vez ("Tem de ser mudado", disse a pessoa do apoio técnico). Não houve folha de presenças. Duas histórias: 1. O cafezinho Há 16 anos, fui operado a uma hérnia discal. Como é difícil remarcar defesas de mestrado, vim um par de vezes participar no júri. Explicava que ia ficar de pé por instrução médica. "Durante três meses evite ao máximo sentar-se, é a posição pior para a coluna." Como eu tinha padecido muito durante dez anos, de cada vez pior e durando mais tempo, decidi cumprir escrupulosamente  as ordens do cirurgião. E assim, passado o pequeno ridículo inicial de um membro do júri estar de pé, corria tudo bem. Uma tarde, fui entregar as folhas de avaliação ao secretariado e fiquei de ir ter com os meus dois colegas. Quando cheguei ao café, estavam sentados. Gemi: "Eu não me posso sentar..." E eles, professores doutores reputados. "Ó Rui, nem um bocad...

Entrevista com David Kopenawa

 Na última aula, despertou-me um grande interesse em saber mais sobre o escritor brasileiro David Kopenawa, conhecido por ser um dos importantes xamãs, escritores e ativistas indígenas do Brasil. Para conhecer um pouco mais sobre ele, eu assisti a sua entrevista no canal ONU News, e eu fiquei impressionada com a sensibilidade e a clareza com que ele analisa a nossa  relação com a natureza e o impacto direto das mudanças climáticas nas nossas vidas. É uma conversa profunda e necessária que recomendo vivamente.                                                                                                                         Ester Jardim

Entre bocejos e aplausos

  No domingo passado, 18 de outubro, tive a oportunidade de assistir à peça Macbeth , de William Shakespeare, encenada por Pedro Penim, no Teatro Nacional D. Maria II, no Rossio. A experiência começou antes de sequer entrar. Cá fora, decorria uma manifestação relativa à crise de habitação, entre tendas e cartazes. No entanto, bastaram alguns segundos depois de entrar no teatro para sentir que estava num noutro ambiente, completamente diferente daquele que se vivia no exterior. Vou ser sincera: nunca tinha lido este clássico e, por isso, fui assistir à peça sem saber muito bem o que esperar. Pelo que me disseram, a representação foi fiel ao texto original e os atores tinham bastante qualidade (alguns até bastante famosos pela sua atuação). Concordo que foi uma boa peça, mas, ao sair do espetáculo, reparei numa coisa curiosa: toda a gente comentava o quão bom tinha sido, mas ninguém falava sobre o assunto que, para mim, era impossível ignorar, o "elefante na sala": a duração. D...

Musicalidade poética - Carolina Portela

 Na aula passada falámos sobre a musicalidade de um poema que implica o uso de palavras que não fazem sentido naquele contexto. E eu lembrei-me de dois poemas que escrevi, ambos em situações sérias em que estava entediada. Inventei palavras para conseguir rimar. O primeiro foi durante uma frequência de literatura portuguesa 1, em que já tinha terminado mas estava com receio de entregar porque seria a primeira e depois corria-me mal (sou bastante supersticiosa). Aqui vai o primeiro:  E se na verdade eu fui feita para estar só? Igual a um pássaro doméstico sem família. Dentro de uma gaiola cor de tília.  E se na verdade eu não fui feita para ser avó?  Será necessário ter um sentido para viver? Não preciso de um anel no meu dedo Mas preciso de um ser humano para não ter medo. Talvez eu só tenha vindo para ver morrer. (Realmente muito dramático e com pouco sentido) O outro escrevi depois de terminar o meu exame de código, pela terceira vez. Mas ainda tinha que esperar pe...

Trotinetes, contra ou a favor?

  Bem…parece que a questão já está (quase) arrumada. https://www.dn.pt/sociedade/carlos-moedas-anuncia-suspenso-de-trotinetas-partilhadas-em-lisboa

Crítica os críticos

  Crítica aos "críticos" Este fim de semana fui ver o filme Os Casamentos de Santo António com o meu pai. O meu pai é um grande fã de cinema, e antes de ver qualquer filme vai ler críticas e opiniões, principalmente do Jorge Mourinha (crítico no Público). Acha-lhe imensa piada, principalmente porque, segundo ele, quando o Jorge Mourinha dá uma estrela a um filme, é sinal de que o filme deve ser muito bom. Ora, acontece que este senhor decidiu dar zero estrelas ao filme. Zero. Nem uma estrelinha de consolação. E isto pôs-me a pensar: afinal, quem são os críticos? Sejam críticos de cinema, de gastronomia, de música ou do que quer que seja, quem são estas pessoas que têm legitimidade para avaliar o trabalho dos outros? E, mais importante, quem é que decidiu que as opiniões destas pessoas valem mais do que as nossas, ao ponto de serem pagos para as dar? Fui então procurar a definição de crítico e deparei-me com a ideia de que são profissionais que avaliam e julgam (definição est...