Musicalidade poética - Carolina Portela
Na aula passada falámos sobre a musicalidade de um poema que implica o uso de palavras que não fazem sentido naquele contexto. E eu lembrei-me de dois poemas que escrevi, ambos em situações sérias em que estava entediada. Inventei palavras para conseguir rimar. O primeiro foi durante uma frequência de literatura portuguesa 1, em que já tinha terminado mas estava com receio de entregar porque seria a primeira e depois corria-me mal (sou bastante supersticiosa). Aqui vai o primeiro:
E se na verdade eu fui feita para estar só?
Igual a um pássaro doméstico sem família.
Dentro de uma gaiola cor de tília.
E se na verdade eu não fui feita para ser avó?
Será necessário ter um sentido para viver?
Não preciso de um anel no meu dedo
Mas preciso de um ser humano para não ter medo.
Talvez eu só tenha vindo para ver morrer.
(Realmente muito dramático e com pouco sentido)
O outro escrevi depois de terminar o meu exame de código, pela terceira vez. Mas ainda tinha que esperar pelos miúdos, que tanto sonham com a sua carta de mota. 10 minutos de espera...
Mais uma vez,
neste canto que
só me traz tristez
Será que é desta?
Dizem que à terceira
é de vez
Mas eu estou aqui
estou a pôr-me num
estado de invalidez.
Não é o fim do mundo,
dizem vocês,
que passaram à primeira vez.
(Este é um pouco mais tonto)
Carolina Portela, 20/10/2026
Gostei, Carolina. A poesia muitas vezes começa por aí, creio. Brincar com a rima e o ritmo, ligando pouco ao sentido ou à lógica.
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