A importância das aspas
A FALTA DE SENSO DÁ MÁS MANCHETES (17/10/2015)
(uma pequena aula de jornalismo para os editores do Público)
1. Na primeira manchete não há aspas, embora fossem necessárias, na recusa por Passos de «reuniões de faz-de-conta», porque reuniões de faz-de-conta não é um termo técnico; será uma expressão do dr. Passos e as aspas seriam importantes. A menos que os editores concordem com o líder do PSD.
2. Na segunda manchete, as aspas que estão lá, essas sim, não são necessárias, porque já está dito que «Costa critica» e é discurso indireto. Só seria necessário pôr aspas no «displicência», de resto um pouco menos colorido que «reuniões de faz-de-conta», se fosse discurso direto.
Mais ainda: «Costa critica» deixa desde logo claro que é a opinião dele, não um facto. Já Passos «recusar» permite entender (perdão: promove o entendimento) que se trata de um facto essa coisa que ele recusa. «Pedro recusa proposta do PS». «Maria recusa casar com Fabio». «Tribunal recusa pedido de habeas corpus». Etc. Ou seja: parece (na cabeça do editor responsável) que Costa disse: «Olha, filho, queres vir ter reuniões de faz-de-conta comigo?» Ao que, veemente, Pedro se terá recusado porque, ao contrário de Costa, não brinca em serviço à pátria. Todo um programa.
Não tem importância? Não teria, fosse um jornal sem Livro de Estilo. Não teria, fosse o magrinho Inimigo Público, agora só 4 esquálidas páginas. Não teria, fosse artigo de opinião.


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