CR7: GERIATRIA FUTEBOLÍSTICA


       A novela que tem sido construída à volta de Cristiano Ronaldo (41 anos), a nível dramatúrgico deixa um pouco a desejar. Ora vejamos: falta-lhe uma protagonista feminina… (perdão, esqueci-me!, a tipa chama-se a Seleção Nacional). Ah, e falta-lhe um antagonista… (não! Na verdade, não falta: a criatura tem um nome bíblico (Jesus), tem a bonita idade de setenta e dois anos e uma vontade gigantesca de vencer com a Seleção Nacional!). Traria mais comicidade à novela um duelo entre estes dois geriátricos do futebol internacional, num novo formato; por exemplo, substituírem as armas por cadeiras de rodas (não motorizadas) e fazerem corridas pelos corredores dos balneários em qualquer estádio da Liga Saudita. 

Os velhos também fazem birras. Quando não gostam da sopa, não a comem. Quando não querem tomar banho, não o tomam. O Cristiano estava cansado de aquecer, não jogou, arrefeceu e foi para casa. (Se calhar tinha medo de se constipar, pensei…) 

Na verdade, esta ficção, criada pela Comunicação Social para alimentar as redes sociais, esconde um conflito real que nos toca a todos: a perda das nossas capacidades e o medo/recusa do envelhecimento. Para os verdadeiros amantes do futebol, o antigo camisola 7 da seleção nacional portuguesa de futebol, deixou de ser um jogador de excelência há quase uma década. Claro, o Cris continua a ser uma prima-dona e marca golos, mas, segundo dizem, já não é a mesma coisa. De acordo com as últimas notícias publicadas faltam apenas vinte golos para alcançar o seu objetivo: os mil golos na carreira. 

Quanto ao desfecho… ainda muita água vai correr debaixo da ponte, ou não fosse ele um ilhéu (private joke).  Não o conheço de lado nenhum, contudo, as suas atitudes fazem-me lembrar uns tipos da literatura que escreveram sobre o comportamento humano: o irlandês Oscar Wilde e o alemão Johann Wolfgang von Goethe. Ao assistir a esta novela, sobre o astro madeirense, recordo-me do Dorian Gray e da sua “eterna juventude” e do Fausto que vendeu a alma ao diabo para continuar a ter poder. (É um narciso militante, daqueles bem convictos, o CR7). 

Parafraseando o membro da elite futebolística: “Eu é que decido quando vou arrumar as botas”. Pois bem, neste caso, decido que vou encerrar o computador. 


A. Rita Varino - 48195 


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