Prontos - Carolina Portela
Há uma coisa que me tem vindo a perseguir, inclusive, aparece nos meus pesadelos e que é ouvir a palavra "Prontos". É impressionante a frequência com que essa criatura aparece, sobretudo porque, segundo a língua portuguesa, ela nem sequer devia andar por aqui. É quase como aquele amigo que ninguém convidou para jantar, mas que aparece sempre e no fim já está sentado à mesa.
O mais engraçado é que o professor passa a vida a reparar em tudo o que os outros fazem, a pessoa que boceja e não põe a mão à frente da boca e a que vai a caminhar a olhar para o telemóvel. Mas ninguém parece reparar que, entre uma história e outra, lá vem ele, tranquilamente, com um “prontos”, como se fosse a coisa mais legítima do mundo. E nós ficamos ali, em silêncio, a assistir à língua portuguesa a perder mais um bocadinho da esperança.
Começo a achar que “prontos” é simplesmente o seu equivalente linguístico ao “não sei se a minha mulher conduz ou não”. Aparece com várias versões, ninguém sabe muito bem de onde veio, mas já faz parte do quotidiano.
Enfim, professor, continue a corrigir os nossos erros. Nós cá estaremos, das 14h às 16h, a contar quantos “prontos” consegue introduzir numa aula sem que o português peça baixa médica.
Comentários
Enviar um comentário